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Três crises que as organizações precisam enfrentar e como a arte e a cultura podem ajudar.

estartecampinas
há 5 dias
3 min de leitura

Atualizado: há 4 dias

Por Paula Barbieri, fundadora e curadora da Estarte


Em maio deste ano, participei do XEEcoN — Encontro de Economia e Negócios da Pontifícia Universidade Católica de Campinas e compartilhei uma reflexão sobre três grandes crises que estamos vivendo.


Embora apareçam de formas diferentes, elas estão profundamente relacionadas e já podem ser percebidas dentro das organizações: a crise do bem-estar, a crise das conexões humanas e a crise da cultura e do repertório.


1. A crise do bem-estar

Vivemos em um ritmo acelerado, cercados por demandas, estímulos e uma sensação constante de urgência.

As pessoas estão sobrecarregadas e o cansaço deixou de ser apenas uma questão individual e passou a impactar diretamente a motivação, a criatividade, a qualidade das relações e o desejo de permanecer em uma organização.

Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos do trabalho relacionados a transtornos mentais, cerca de 15% a mais do que no ano anterior, segundo dados da Previdência Social ( o aumento nos últimos 4 anos foi de mais de 800%!)

Em escala global, a Organização Mundial da Saúde e a Organização Internacional do Trabalho estimam que a depressão e a ansiedade gerem um impacto econômico de US$ 1 trilhão por ano em produtividade perdida por afastamentos formais (absenteísmo) ou baixa energia de trabalho (presenteísmo).

Por trás desses números existem pessoas que adoeceram e ambientes que precisam repensar a forma como lidam com sobrecarga, pressão, segurança psicológica e cuidado.

Bem-estar não pode ser apenas uma ação pontual no calendário. Precisa fazer parte da cultura e da experiência cotidiana de trabalho.

2. A crise das conexões humanas

Nunca tivemos tantas ferramentas para nos comunicar. Ainda assim, muitas pessoas se sentem sozinhas, pouco ouvidas e emocionalmente afastadas.

Em 2025, a Comissão da Organização Mundial da Saúde sobre Conexão Social informou que uma em cada seis pessoas no mundo vivencia solidão e defendeu que a saúde social seja tratada com a mesma urgência que a saúde física e a saúde mental.

No ambiente de trabalho, podemos estar lado a lado ou conectados durante todo o dia por diferentes plataformas sem, necessariamente, construir vínculos.

Faltam espaços de escuta, confiança, pertencimento e convivência. Faltam oportunidades para que as pessoas se conheçam além das funções que desempenham.

Conexões genuínas não surgem apenas porque reunimos pessoas em uma mesma sala. Elas precisam de tempo, intenção e experiências capazes de criar pontos de encontro.

3. A crise da cultura e do repertório

Vivemos um tempo de excesso de informação.

Recebemos conteúdos, notícias, imagens e opiniões durante todo o dia, mas ter acesso a mais informação não significa, necessariamente, compreender melhor o mundo.

Quando tudo chega de forma rápida e fragmentada, sobra pouco espaço para observar, elaborar, fazer conexões e construir pensamentos mais profundos.

Não se trata de responsabilizar somente as telas. Há diversos fatores sociais, culturais e comportamentais envolvidos. Mas é importante reconhecer que o consumo contínuo de conteúdos rápidos disputa nossa atenção com experiências que exigem presença, curiosidade e tempo.

Informação está em toda parte, mas repertório se constrói. Ele se forma a partir dos livros que lemos, das obras que observamos, dos lugares que visitamos, das conversas que temos e do contato com perspectivas diferentes das nossas.

É o repertório que nos ajuda a interpretar situações complexas, fazer associações, formular boas perguntas e imaginar caminhos que ainda não estão prontos.


Onde entram a arte e a cultura?

Na Estarte, acreditamos que a arte e a cultura podem ser ferramentas estratégicas para enfrentar essas três crises.

A Organização Mundial da Saúde já reuniu evidências de mais de três mil estudos sobre a contribuição das artes para a promoção da saúde, do bem-estar e da prevenção de problemas de saúde ao longo da vida.

Quando inserida em uma experiência construída com intenção, a arte pode:

  • criar momentos de pausa e presença;

  • favorecer o bem-estar e reduzir tensões;

  • aproximar pessoas por meio da criação e da conversa;

  • ampliar referências e perspectivas;

  • estimular criatividade e pensamento crítico;

  • fortalecer escuta, empatia e colaboração.

Não se trata apenas de oferecer uma atividade agradável ou ensinar uma técnica artística, mas de utilizar a arte para abrir conversas, deslocar olhares e criar experiências em que as pessoas possam se perceber, se expressar e se conectar de outras maneiras.


Os desafios das organizações mudaram. Talvez esteja na hora de mudarmos também as ferramentas que usamos para enfrentá-los.

Quer levar essa reflexão para sua organização?

A Estarte desenvolve experiências artísticas e culturais para fortalecer o bem-estar, as conexões humanas, o repertório e a criatividade de equipes, lideranças, clientes e marcas.


Referências

  • Organização Mundial da Saúde. From loneliness to social connection: charting a path to healthier societies. Relatório da Comissão da OMS sobre Conexão Social, 2025.

  • Organização Mundial da Saúde — Europa. What is the evidence on the role of the arts in improving health and well-being?, 2019.

  • Ministério da Previdência Social. Painéis Estatísticos da Previdência Social.


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